14.9.12

7.8.12

Horas de voo

A gente vai aos lugares, gosta da comida, do ambiente, do garçom simpático e muitas vezes implica com a música. Mas dificilmente visita a cozinha. A mim sempre pareceu algo como a cabine de piloto de avião: todo mundo quer saber o que acontece lá dentro, mas quase ninguém pede para ir lá ver de perto. E, se tiver coragem de ir, certamente a situação pode beirar o constrangimento.

Por imposição do trabalho, visitei 100 cozinhas de restaurantes nos últimos dois meses. E foi muito esclarecedor. Primeiro, para entender a logística das casas. Segundo, para checar se o papo da equipe ou do dono conferem com a realidade ("ah, eu uso vinho da carta para cozinhar"). Estive em lugares sujos a ponto de eu ter sentido medo (e certo dó de quem pagaria por aquela comida). E vi também estruturas sensacionais, com engenhocas caras - que algumas vezes resultam em pratos que não condizem com tanto investimento.

O melhor de tudo, pra falar bem a verdade, foi descobrir pequenos orgulhos das equipes. A estagiária que dedica duas horas de sua tarde a um purê de aipim; o rapaz que vai à cozinha mesmo nas folgas para alimentar o levain; um chef cuja receita de molho leva três dias para ficar pronta. Tem muito aventureiro, mas ainda há muita gente que trabalha como ourives.

É mentira se eu disser que vou, depois de um almoço, pedir para xeretar a cozinha. Mas valeu a experiência, opa se valeu. Se alguém por aí levar a sério a plaquinha "visite nossa cozinha", por favor, conte como foi.

5.8.12

Certo dia, acordei de um sonho ruim

Passou. A mocidade deslumbrada com lugares que todo mundo aprova, que todo mundo diz que é bom, que você-precisa-conhecer, acabou. Principalmente, se os endereços cobram preços injustificáveis. Principalmente se a refeição é meia-boca, mas "tudo bem, eu precisava mesmo criar repertório". Dignamente, passei a respeitar meu estômago, meu fígado e meu bolso. Sobretudo, meu tempo. Veja bem: não estou dizendo aqui que todo lugar caro é ruim ou que todo lugar barato é bom (só por charme). Não. É uma lucidez de que comida boa é comida boa. Simples. Sem atenção cega à crítica especializada ou aos opostos devaneios foodies. Liberdade. E se a comida maravilhosa for entregue por poucas moedinhas, oba!

9.7.11

Eu, leitora

Tempos atrás, quando eu trabalhava como repórter de gastronomia de um guia da cidade, algumas vezes falei com os editores sobre fazer um bom guia de delivery da cidade. Agora que sou apenas uma atenta consumidora desse tipo de publicação, parece evidente que cadernos de gastronomia e afins façam definitivamente algum material sobre o assunto. Demorei cerca de uma hora em uma pesquisa mal sucedida na web para pedir meu almoço. No fim, apelei para um velho conhecido, a lanchonete Zé do Hambúrguer, na Rua Caiubi. Já me decepcionei muito com o lugar (inclusive comendo no próprio restaurante), mas não me restavam alternativas. Mas hoje me deu raiva. Foram R$ 55 para um x-egg, um milk-shake e meia porção de fritas. As batatinhas chegaram murchas. A carne, que pedi (e insisti) para ser entregue ao ponto, veio tostada. Sem contar o descaso do atendente, que não deu nenhuma explicação que pedi sobre o cardápio, insistiu para que a ligação fosse concluída rapidamente e se negou a enviar um cardápio da casa.

Sou bem mal-humorada com serviços, mas ainda acho que o exemplo da hamburgueria é regra em São Paulo. E, veja bem, não espero grandes análises dos repórteres de gastronomia, não. Uma boa lista para que eu mesma teste e quebre a cara algumas vezes já me bastaria.

Na região de Perdizes, indico duas casas que passaram pelo meu crivo, com simpatia, rapidez e comida honesta entregue em domicílio: Tele-Thai (que está fechado temporariamente, mudando de endereço) e Bráz.



15.2.10

Variando o cardápio

O blog é sobre comida, mas não custa perceber que há mais coisas no mundo. Sugiro aqui um menu-degustação de blogs de mulher. Pode entrar, tá ali do lado. São imperdíveis: 2die4 (Renata Miranda, dá sempre com boas dicas para armário, necessaire e afins), Mãe da Rua (Mariana Della Barba ensina que para ser mãe não é preciso ser como a sua mãe) e 100 Mililitros (Thais Caramico, Isabela Mena e Manu Aquino provam que o negócio é ser mulherão).

Bacalhau de domingo

No almoço do dia 7 de fevereiro, eu estava na casa da tia Cristina. Postas grandes e macias, regadas com bom azeite e deliciosas batatinhas estavam no centro da mesa, esperando que a família atacasse. Eu me sentei ao lado do vô Arlindo, que da cabeceira da mesa admirava seu prato preferido, servido especialmente para comemorar os 88 anos de vida do patriarca.
Antes da primeira garfada, ele me contou que achava graça da trajetória do bacalhau. Na infância dele, era algo barato, "comida de pobre", que ficava do lado de fora da venda. Hoje é prato fino, de dia de festa.
Ontem eu e o marido repetimos o cardápio e fomos ao bar Espírito Santo comer bacalhau. Pedimos a versão desfiada com palmito e tomates, sob purê de batata, tudo gratinado no forno. Faltou sabor ao peixe, talvez eu não goste de bacalhau desfiado (pode ser, né?). Era gostosinho, sim, não me leve a mal. Mas senti falta daquelas postas altas e deliciosas da casa da tia Cristina.

Espírito Santo. R. Horácio Lafer, 634, Itaim Bibi, 3078-7748.
Casa da Tia Cristina. Fique meu amigo.

Minhas férias

Daqui a 10 dias, começo meu recesso anual. O roteiro já está definido: uma paradinha em Limeira, para mimos de tias e de mãe, depois uma viagem de carro por Minas. Já estou sonhando com a cachacinha, os torresmos, pães de queijo e afins da dieta das Gerais. Eu e o marido estamos inclusive planejando nosso próprio Comida di Buteco pela capital.
Mas também quero reservar um tempinho para um circuito paulistano. Estou curiosa com o 210 Diner (o novo do Benny Novak) e, se a conta permitir, um almoço no Ici (o velho do Benny Novak). Quem sabe uma tarde de comes e bebes no Bottagallo e alguns pares de sushi no Shin-Zushi.
Por enquanto, vou ter de me conformar com o suco de manga da lanchonte do jornal.
Bom, carnaval!